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Cai a noite. Anjos na porta batem, tocando minha alma flamejante. Sonho. Sinto minha alma
voltar para o meu corpo, quente como o calor do Sol, a aquecer o frio de minha alma. Um suspiro me vem à cabeça. Penso
ser a última gota do meu sangue, a devorar meu corpo coberto por cascas da imoralidade. Queimo no fogo do inferno, a culpa
da minha fraca existência. Um ser recalcado pela ignorância de outrora, que bate de frente com a vida imposta. Ah! Vida,
despeja em mim sua emoção. A dor de estar vivo. Vivendo de emoções, a resposta que justifica a minha existência, ínfima
diante da grande roda gigante, carrossel de ilusões, perfume da vida. Anjos da noite vêm me despertar para o lúdico, o
imaginário. Trazendo consigo esperanças. Sonhos ingratos me fazem sofrer. Trás para mim a lembrança do mundo perfeito.
A dança que movimenta meu corpo, minha alma vai de encontro à sua, em perfeita sintonia rítmica. Doces ilusões, sonhos
de uma noite de verão. Acordo para as cores gritantes da vida cotidiana, forasteira. Anjos da noite.

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Os segredos da intimidade devem ser partilhados a dois, tal como devem
ser aceites as virtudes e tolerados os defeitos de cada um, pelas duas metades da existência em comum. O Amor a dois, não
são só beijos e caricias, ele é tambem a unificação de duas inteligências e a junção de duas acções, numa só mente com um
só corpo, para que assim juntos, possam sem hesitações nem dúvidas, divisões e diferenças, munidos por uma força sobrenatural,
resultante de um extremoso sentimento que os entrelaça e funde, enfrentar, atravessar e superar os medonhos vendavais da vida,
aos quais a sós seriam incapazes de sobreviver.
Duas almas que afirmam amar-se devem enfrentar a corrente da vida,
adversa ou benéfica, ingrata ou afortunada, escutando numa só audição, vendo numa só visão, saboreando o aroma do Amor num
só beijo

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